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Comungando sem Glúten

Os fiéis escutam, atentos, o padre dizer: “Tomai, todos, e comei: isto é o meu Corpo (…) Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu Sangue (…). Fazei isto em memória de Mim”. Católicos praticantes conhecem bem essas falas e costumam fazer fila para receber a hóstia no ritual da Eucaristia. São as palavras de Jesus na Última Ceia, quando compartilhou o pão e o vinho com os apóstolos antes de ser entregue por Judas às autoridades. Para os cristãos, ao comer a hóstia, ou comungar, eles ingerem o corpo de Cristo levado à Cruz. É uma forma de purificação e perdão pelos pecados terrenos.

Há mais de dois mil anos esse ritual se cumpre na Igreja Católica, mas será que todos os fiéis podem receber a comunhão? A hóstia é feita de trigo, que contém glúten, uma substância que para muitas pessoas pode ser prejudicial à saude. Ângela Pereira de Abreu Diniz, Presidente da ACELBRA-MG
(Associação dos Celíacos do Brasil – Seção Minas Gerais), grupo que auxilia portadores da doença celíaca, uma intolerância permanente ao glúten, explica que os celíacos costumam ter reações adversas quando ingerem alimentos que o contêm. “Pouco tempo após sua ingestão, o glúten já pode causar danos ao organismo em pessoas geneticamente predispostas, resultando em uma série de problemas, desde aftas até lesões no intestino delgado, anemia e, a longo prazo, tumores de intestino, se não tratadas adequadamente”, diz ela.

Pelo Código de Direito Canônico da Igreja Católica, toda hóstia deve conter trigo e todo vinho usado nas missas pelos padres deve ser feito de uva. Em atenção aos celíacos, a Igreja Católica fez circular entre os Presidentes das Conferências Episcopais uma carta, datada de 19 de junho de 1995 e assinada pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, sobre o uso do pão com pouca quantidade de glúten como matéria de Eucaristia. Nessa carta, o Vaticano determina que as hóstias precisam ter uma quantidade mínima de glúten, considerando inválidas aquelas fabricadas sem esse ingrediente. No entanto, “para os celíacos, qualquer quantidade de glúten pode ocasionar danos à saúde. Os sintomas podem variar e os celíacos mais sensíveis podem desenvolver reações mais rapidamente após a ingestão da hóstia”, explica a Presidente da ACELBRA-MG. “Isto é de especial importância para os sacerdotes, freiras e missionários, já que comungam com mais frequência”, acrescenta.

A opção para os católicos celíacos aparece na própria carta, que afirma ser possível receber somente o vinho ou o mosto para comungar. O mosto (entendido na carta como suco de uva fresco ou conservado sem fermentação, por congelamento ou outro método que não altere sua natureza) pode ser consumido também por sacerdotes ou fiéis com problemas de alcoolismo, como explica Ratzinger. Tanto para comungar com hóstia especial como com suco de uva é preciso apresentar um atestado médico ao pároco da igreja que a pessoa freqüenta.

O mosto, no entanto, é definido pelo Dicionário Aurélio, um dos mais usados na Língua Portuguesa, como o sumo da uva antes de terminada a fermentação. Nesse caso, sempre haveria alguma fermentação e “algumas famílias optam por não aceitar que a criança ou o adolescente receba a comunhão na espécie vinho”, diz Ângela Diniz, lembrando que a Legislação Brasileira não permite o consumo de álcool antes dos 18 anos de idade.

Uma questão levantada pela psicóloga Aline Ribeiro Mayrink Maia, especializada em Psicologia Clínica, é que os celíacos, por vezes, se sentem constrangidos com sua condição. “Algumas pessoas relatam dificuldades de inserção em ambientes de escola, igreja e trabalho em função do peso do rótulo de uma doença crônica pouco conhecida, que requer um comportamento específico de restrições alimentares”, afirma a psicóloga. Aline trabalha oferecendo suporte psicológico a celíacos e familiares da ACELBRA-MG, ajudando pessoas a lidar com os impactos trazidos pela doença celíaca.

Ângela explica que no caso de um celíaco comungar com vinho, deve-se tomar todos os cuidados para que não haja contaminação por traços de glúten no seu cálice. Conversar sobre o assunto com o pároco da localidade, com antecedência, pode ajudar.

“Aceitar a doença nem sempre é fácil. É preciso mudar hábitos alimentares, mas também há adaptações sociais, emocionais, religiosas e culturais a serem feitas”, explica Aline. “A religião é uma cultura enraizada de crenças e valores. Para algumas pessoas, deixar de comungar constitui verdadeiro sofrimento. Acontece aí um impasse entre religião e ciência, uma vez que o tratamento da doença celíaca consiste na dieta totalmente isenta de glúten”.

Símbolo e Significado

De acordo com Heber Zenun, Professor de Teologia da Faculdade Teológica do Instituto Batista de Educação, em Florianópolis, Santa Catarina, a maioria das religiões cristãs tem algum ritual de comunhão. As Evangélicas, por exemplo, costumam realizar Ceias, nas quais os fiéis compartilham pães e vinho. Heber é também pastor da Igreja Batista da Trindade, em Florianópolis, e explica que, ao partilhar o pão e o vinho durante os cultos, o fiel se liberta para conhecer Deus e Jesus. “O símbolo do pão não pode ser maior do que seu significado”, explica ele, “por isso, na nossa comunidade, qualquer pessoa celíaca pode conversar com o pastor e solicitar pão sem glúten. O importante é comungar e sentir a celebração a Jesus, não importa se o pão é de trigo ou de milho”, diz ele.

Pão Sem Glúten Para Todos!

Gláucia Esteves, que é Evangélica e fundadora da ACELBRA de Alagoas, tem uma história curiosa e feliz para contar. Ela é tia e irmã de celíacas e membro da Igreja Batista do Farol, em Maceió, Alagoas. Quando sua sobrinha e sua irmã receberam diagnóstico de doença celíaca, pediram ao pastor que oferecesse a elas e a outros fiéis com a mesma necessidade uma pequena bandeja com pão sem glúten durante o culto. Para sua surpresa, o pastor determinou que a partir daquele momento, todos na comunidade passariam a comungar com pão sem glúten. “Ele nos disse que não queria segregar os celíacos e sim incluí-los na comunidade da Igreja Batista do Farol”, conta Gláucia, satisfeita.

Desde setembro de 2009, Gláucia é responsável por fazer os pães sem glúten para a Ceia. “Tem sido uma honra e um desafio”, conta ela, que afirma estar recebendo um retorno muito positivo dos fiéis. “Muitos me perguntam a receita para fazer em casa”, diz Gláucia, feliz em poder divulgar as dificuldades da doença celíaca no meio Evangélico.

O pastor e professor de Teologia Heber Zenun ressalta que, ao contrário do catolicismo, não existe nenhuma exigência nas outras religiões cristãs, sejam evangélicas, protestantes, presbiterianas, anglicanas, etc., do uso do trigo no pão compartilhado como comunhão. No entanto, segundo ele, pode haver alguma comunidade que aja de maneira isolada, proibindo o pão sem glúten durante os cultos. “O que procuro divulgar e ensinar a meus alunos é que a Ceia é algo simples, que celebra a relação da pessoa com Cristo. É preciso haver amor à verdade e também flexibilidade. Se alguém precisa de um alimento especial por motivos de saúde, não há motivos para recusar isso”, afirma Heber.

A Comunhão Espiritual

O Espiritismo é uma doutrina cristã, mas que, de acordo com Leani Cabral, estudiosa do Centro Espírita Lar de Joaquina, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, não tem rituais de nenhum tipo, nem comunhão com alimentos. O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, principal obra da Doutrina Espírita, descreve a comunhão no Capítulo sobre a Lei de Adoração: “Os homens reunidos por uma comunhão de pensamentos e sentimentos têm mais força para atrair os bons Espíritos. Acontece o mesmo quando se reúnem para adorar a Deus”. “É a comunhão espiritual”, define Leani.

Uma Alegria Profunda

Comungar sem glúten continua então a ser um desafio para os celíacos católicos, religião da maior parte da população brasileira. “A conduta com relação à comunhão para os celíacos é muito pessoal, portanto, cabendo à família a decisão. Conversar com o médico, que já acompanha o paciente, ajuda a esclarecer melhor as dúvidas”, conclui a a Presidente da ACELBRA-MG.

O depoimento de Maria das Graças dos Santos Rodrigues, entregue a Ângela por escrito em 2007 e autorizado para divulgação, pode confortar e servir de exemplo a muitos celíacos. Maria das Graças é católica e, ao descobrir ser portadora da doença celíaca, sentiu uma profunda tristeza. “Chorei muito e disse ao meu médico que não poderia viver sem Jesus Eucarístico”, conta. Ela então precisou de um atestado médico para comungar com vinho e sua paróquia passou por adaptações. “Meu cálice foi separado para que não houvesse contágio da hóstia com o vinho, e com isso percebi olhares desconfiados e surgiram perguntas dos outros fiéis.” Hoje tudo isso passou e ela celebra, satisfeita, a comunhão com vinho em sua vida. “Posso afirmar que comungo o mesmo Corpo e Sangue de Jesus que os que comungam com hóstias, pois Jesus é Corpo, Sangue, Alma e Divindade”. Ela conclui dizendo acreditar que a Eucaristia transforma um fardo em algo leve e suave. Comungando com vinho aprendeu a superar as dificuldades da doença celíaca e afirma: “Da Eucaristia deve brotar uma alegria profunda, e é nessa alegria que eu vivo”.

Por Ana Carolina Rodriguez

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